terça-feira, 25 de outubro de 2016

#237 - SONETO (Carlos Queirós)

De ti não quero mais do que a memória
Das breves horas idas que me deste,
Como a palma, depois duma vitória...
-- E nada mais dessa vitória reste.

De neblina um luar frio reveste
O meu passado: a infância foi-me inglória;
E dela não ficou mais do que a história
Dum menino, uma fada e um cipreste.

Não mais serei contigo neste vário
Campo, sonhando, em vaga liquescência...
Luz coada através dum aquário.

(Entanto, a serra tem a consciência
Do meu passar por ela solitário,
Como outrora, na minha adolescência).





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