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quinta-feira, 29 de setembro de 2016

#222 - IMAGEM (Alberto de Lacerda)

No filme azul do desdobrado céu
decantarei a mínima magia
das sensações mais puras, melodia
da minha infância, onde era apenas Eu.

Da realidade nua desce um véu
que, já sem mar, apenas maresia,
me vem tecer aquela chuva fria
que prende esta janela ao claro céu.

Despido o ouropel desvalioso,
já não apenas servo, mas o Rei
da luz da minha lâmpada romeira,

assim procuro o centro misterioso
do mundo que hoje habito, onde serei
concêntrica expressão da vida inteira.





domingo, 14 de agosto de 2016

#187 - MANDIMBA METÓNIA VILA CABRAL (Alberto de Lacerda)

Infância triste mas encantada
Em casas grandes mas sombrias
Outras crianças não as havia
Os meus amigos? Dois grandes gatos
A luz e o vento a água a água

Se alguém tocava velho e roufenho
O gramofone de manivela
Eu perturbava-me e a quem me via
Com lágrimas que não entendia

Havia festas de vez em quando
Eram janelas do paraíso
Lembro os adultos Como eram estranhos
Como eram estranhos e imprevistos

Como eu sentia que não sei onde
Um outro reino de festa e luz
Inteiramente me pertencia
E só de longe naquelas casas
Naquela gente que me era fria
Muito por alto se reflectia

Vila Cabral, 22-2-63


terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

#90 - A MEIO DO CAMINHO (Alberto de Lacerda)

Fico entre o céu e a terra,
Choro só para dentro.
Sou como a árvore nua
que ao alto os ramos indica:
ergue as asas, mas não voa,
têm raízes, mas não desce.