Dias virão, dias virão
a golpes secos
de potros
no chão.
Não sei se já nasceram,
não sei onde se encontram
os dias
que amo tanto.
(No cano de um fuzil
ou no cano do espanto).
Dias virão virão,
lobos de aragem
e a todos morderão
com sua liberdade.
Que pássaros
se aplumam
nas penas destes pássaros?
Serão dias saltando
aos ombros
de outros ombros,
até onde houver ombros
irão dias brotando.
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quinta-feira, 11 de agosto de 2016
sexta-feira, 5 de agosto de 2016
#178 - CANGA (Carlos Nejar)
Jesualdo Monte, não és homem.
És um burro
carregado de ossos;
as palavras, insetos,
volteiam-te a garupa;
até a carne é hostil
sob a carcaça
e o presságio dos seres
te enternece.
Não te movem as fendas,
nem as urzes,
nem o jogo de vozes,
o repouso das tardes
e as vigas
que desceram ao rio
no teu lombo.
O mundo te apertou com sua cincha
e tudo em ti
transpõe o desespero,
desapegando patas e raízes.
É esta a condição de não ser homem:
dormir, placidamente, sem remorsos,
no curral dos mortos.
É esta a condição de não ser homem:
ruminar o assombro, junto ao feno,
receber o milagre sem transtorno,
seguindo sempre, onde manda o dono.
É esta a condição de não ser homem:
lanhado o casco por chicote lesto,
zurrar, apenas, mastigando o freio.
É esta a condição de não ser homem.
És um burro
carregado de ossos;
as palavras, insetos,
volteiam-te a garupa;
até a carne é hostil
sob a carcaça
e o presságio dos seres
te enternece.
Não te movem as fendas,
nem as urzes,
nem o jogo de vozes,
o repouso das tardes
e as vigas
que desceram ao rio
no teu lombo.
O mundo te apertou com sua cincha
e tudo em ti
transpõe o desespero,
desapegando patas e raízes.
É esta a condição de não ser homem:
dormir, placidamente, sem remorsos,
no curral dos mortos.
É esta a condição de não ser homem:
ruminar o assombro, junto ao feno,
receber o milagre sem transtorno,
seguindo sempre, onde manda o dono.
É esta a condição de não ser homem:
lanhado o casco por chicote lesto,
zurrar, apenas, mastigando o freio.
É esta a condição de não ser homem.
quarta-feira, 25 de maio de 2016
#170 - ELEGIA (Carlos Nejar)
Liberdade,
sem ti nada mais sei.
Compreendi o mundo
em ti, sútil
compêndio.
Amei muito antes
de me amares,
entre surtos e sulcos.
Amei
e só a morte
de perder-te
me faz viver
multiplicando
auroras, meses.
E sou tão doido
que o risco inútil
percorri
de me perder, perdendo-te,
perdido em mim.
sem ti nada mais sei.
Compreendi o mundo
em ti, sútil
compêndio.
Amei muito antes
de me amares,
entre surtos e sulcos.
Amei
e só a morte
de perder-te
me faz viver
multiplicando
auroras, meses.
E sou tão doido
que o risco inútil
percorri
de me perder, perdendo-te,
perdido em mim.
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