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quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

#288 - TRADIÇÃO (Rui Knopfli)

Palavras, substância, ideia,
persistentes e danosos vermes
da memória, em várias chamas
variamente ardendo, com sôfrega
raiva vos devoro.

                          Em vós
mudado, de vós moldarei,
porque minhas, palavras
outras e únicas.
                          Louco

ou iluminado, a baba
incandescente tombar-me-á
incólume nos lábios febris,
ouro e sangue, sangue e ouro.
Artífice elusivo do sonho,

cinábrio do torvelinho e da noite,
tal poder pode mais em mim
do que eu poder posso.
Instrumento, embora, querer
tê-lo-ei querido.

                            Mas querer
quis mais que eu.
                            E o que terei
querido, quer em mim
e seu poder é cumpri-lo.






sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

#9 - ARDE UM FULGOR EXTINTO (Rui Knopfli)

Arde um fulgor extinto
no longe da tarde agoniada.
Não me pesaria tanto
a caminhada se, em lugar do dia,
no seu extremo achasse a noite.

Exacta e concisa é a claridade.
Não mente à luz o que a noite
ilude. Terrível destino
o de quem é nocturno à luz solar.

Não vos ponha em cuidado,
porém, este meu penar:

são palavras e não sangram.