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terça-feira, 13 de dezembro de 2016

#252 - TÚMULO DO POETA DESCONHECIDO (Carlos Ávila)

uma brochura
que mal se sustenta de pé
na biblioteca pública
de uma cidadezinha qualquer

as páginas amareladas
de uma antologia
com trezentos e tantos
tantos tantos "poetas"

um título
perdido
(muito cedo, muito cedo)
nas prateleiras de um sebo

apenas um nome
(nowhere man)
na babilônica
lista telefônica

numa obscura
repartição pública
(beneficência da língua portuguesa)
sem cura

um bando bêbado
no fundo do bar
olhando pro nada
e pensando que é o mar

no tumulto da vida -- o túmulo
requiescat in pace
& não volte jamais



quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

#247 - AQUI (Carlos Ávila)

continuar aqui
apesar de

roendo pedra
comendo amor

(montanhas?
são tão estranhas

acima -- impassível
l'azur l'azur l'azur...

na única cidade
com abóbada celeste

abaixo -- impossível
vida sem saída

labirintos: look around
the lonely people)

continuar aqui
à beira de

comendo pedra
roendo amor