Mostrar mensagens com a etiqueta Agostinho da Cruz. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Agostinho da Cruz. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

#259 - DA QUIETAÇÃO (Frei Agostinho da Cruz)

Dos males, que passei no povoado,
Fugi para esta Serra erma e deserta,
Vendo que quem servir seu Deus acerta,
Certo tem tudo o mais ter acertado.

E para mais pureza ser forçado
Mostrar a paciência descoberta,
Que quando o tentador se desconcerta,
O paciente fica concertado.

Passou a furiosa tempestade,
Ouve-se a voz da rola em nossa terra,
Soando com maior suavidade.

Cobriu-se d'alvas flores toda a Serra,
A minha alma de doce saudade,
Em paz me faz amor divina guerra.





quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

#69 - A QUEM LER (Frei Agostinho da Cruz)

Os versos que cantei importunado 
Da mocidade cega a quem seguia
Queimei (como vergonha me pedia)
Chorando por haver tão mal cantado.

Se nestes não ficar tão desculpado
Quanto o mais alto estilo requeria,
Não me podem negar a melhoria
Da mudança que fiz de um no outro estado.

Que vai que sejam bem, ou mal aceitos?
Pois os não escrevi para louvores
Humanos, pelo menos perigosos,

Senão para plantar em frios peitos
Desejos de colher divinas flores
À força de suspiros saudosos.


quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

#17 - À NOITE DE NATAL (Frei Agostinho da Cruz)

Era noite de inverno longa e fria,
Cobria-se de neve o verde prado;
O rio se detinha congelado,
Mudava a folha cor, que ter soía.

Quando nas palhas duma estrebaria,
Entre dois animais brutos lançado,
Sem ter outro lugar no povoado
O Menino Jesus pobre jazia.

-- Meu amor, meu amor, porque quereis
(Dizia Sua Mãe) nesta aspereza
Acrescentar-me as dores que passais?

Aqui nestes meus braços estareis;
Que, se Vos força amor sofrer crueza,
O meu não pode agora sofrer mais.